Filhos de Adão : análise das hipóteses sobre a chegada dos seres humanos ao Novo Mundo (séculos XVI e XIX)

Orientador: Leandro Karnal

Access type:openAccess
Publication Date:2015
Main Author: Kalil, Luís Guilherme Assis, 1984-
Advisor: Karnal, Leandro, 1963-
Referee: Fernandes, Luiz Estevam de Oliveira, Neto, Jose Alves de Freitas, Silva, Janice Theodoro da, Silva, Eliane Moura da
Document type: Doctoral thesis
Language:por
Published: [s.n.]
Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Program: Programa de Pós-Graduação em História
Portuguese subjects:
English subjects:
Online Access:http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/281179
Citation:KALIL, Luís Guilherme Assis. Filhos de Adão: análise das hipóteses sobre a chegada dos seres humanos ao Novo Mundo (séculos XVI e XIX). 2015. 194p. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP. Disponível em: <http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/281179>. Acesso em: 26 ago. 2018.
Portuguese abstract:Resumo: A tese pretende analisar de que formas a questão sobre a existência de seres humanos no Novo Mundo foi abordada em dois períodos distintos: a virada do século XVI para o XVII e ao longo do século XIX, momentos em que a produção de reflexões sobre este tema aumentou consideravelmente. No primeiro período, observamos que as dúvidas sobre a origem dos indígenas não surgem durante os contatos iniciais com os europeus, mas se desenvolvem ao longo do século. Além disso, identificamos um aumento progressivo das representações que enfatizavam a multiplicidade dos indígenas, nas quais as reflexões do jesuíta espanhol José de Acosta, que analisou os debates anteriores sobre os ancestrais dos americanos e dividiu os "povos bárbaros" em três níveis de desenvolvimento, ocupam um papel central. Para um número crescente de autores, as grandes diferenças identificadas entre os diversos grupos que habitavam as terras americanas seriam fruto de origens específicas e hierarquizadas. No século XIX, a percepção da multiplicidade dos indígenas passa a ser incorporada, entre outros aspectos, ao conceito de raça e aos discursos sobre a memória e a identidade nacional elaborados nas colônias americanas recém-independentes. Neste segundo período, há a identificação de um índio "nacional", geralmente restrito ao passado, que teria uma origem diferente e superior a dos outros habitantes do continente. Novamente, as diferenças identificadas pelos autores entre os povos americanos são interpretadas a partir das origens: grupos considerados como mais avançados procederiam de povos diferentes dos grupos "inferiores" que habitaram e ainda habitavam o continente. Divisão e hierarquização estas, profundamente influenciadas pelas reflexões sobre o Oriente, fruto das diversas expedições e descobertas arqueológicas ocorridas no período
English abstract:Abstract: The thesis aims to analyze in which ways the question about the existence of human beings in the New World was addressed on two different time periods: the turn of the 16th to the 17th century and throughout the 19th century, moments in which the production of reflections on this issue increased considerably. In the first period, we observed that the doubts about the origin of the Americans were not raised during the first contacts with the Europeans, but developed over the century. Furthermore, we identified a progressive increase in representations that emphasized the multiplicity of the indigenous, in which the reflections of the Spanish Jesuit José de Acosta, who examined the previous debates about the ancestors of the Americans and divided the "barbarians peoples" in three levels of development, occupies a central role. For a growing number of authors, the major differences identified among the various groups that inhabited the American lands would result from specific and hierarchical backgrounds. In the 19th century, the perception of indigenous multiplicity becomes incorporated, among other aspects, into the concept of race and the discourses on memory and national identity, developed in the newly independent American colonies. In this second period, there is the identification of a "national" Indian, usually restricted to the past, who would have a different and superior origin than the other inhabitants of the continent. Once again, the differences identified by the authors among the American people are interpreted as related to their origins: groups considered more advanced would behave differently from "inferior" groups who had inhabited and still inhabited the continent. Those division and ranking were deeply influenced by the reflections elaborated about the East, as a result of the various expeditions and archaeological discoveries made in the period