O efeito dos filhos sobre a participação feminina no mercado de trabalho brasileiro: explorando diversas fontes de variação exógena na fecundidade

O declínio acentuado da fecundidade e, ao mesmo tempo, a presença cada vez mais marcante da mulher no mercado de trabalho nas últimas décadas têm motivado estudos que buscam analisar a associação entre o número de filhos e a participação laboral feminina. Diante desse contexto, o objetivo dessa tese...

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Access type:openAccess
Publication Date:2009
Main Author: Laeticia Rodrigues de Souza
Advisor: Eduardo Luiz Goncalves Rios Neto
Co-advisor: Bernardo Lanza Queiroz
Referee: Ana Maria Hermeto Camilo de Oliveira, LETICIA JUNQUEIRA MARTELETO, Cristine Campos de Xavier Pinto, Elaine Toldo Pazello
Document type: Doctoral thesis
Language:por
Published: Universidade Federal de Minas Gerais
Portuguese subjects:
Online Access:http://hdl.handle.net/1843/AMSA-7WZFU3
Portuguese abstract:O declínio acentuado da fecundidade e, ao mesmo tempo, a presença cada vez mais marcante da mulher no mercado de trabalho nas últimas décadas têm motivado estudos que buscam analisar a associação entre o número de filhos e a participação laboral feminina. Diante desse contexto, o objetivo dessa tese é entender melhor a relação filhos-trabalho para as mulheres. Entretanto, mais que mensurar essa associação, estimamos o efeito dos filhos sobre a participação delas no mercado de trabalho brasileiro, observando a evolução temporal desse efeito desde os anos de 1990. Isto porque, a maternidade tem inúmeros efeitos sobre a carreira profissional das mulheres: pode levá-las a desistir de trabalhar (temporariamente ou definitivamente), encorajá-las a reduzir seu tempo de trabalho ou até mesmo fazer com que mudem de profissão ou de segmento do mercado, além de poder retardar sua promoção a melhores cargos e seus aumentos salariais (Maron & Meulders, 2007). Além disso, com base no fato de que cada filho possa apresentar um efeito diferenciado sobre a decisão laboral das mães, já que há motivos para acreditar, por exemplo, que o primeiro filho é aquele com o efeito mais forte sobre a entrada ou permanência da mãe no mercado de trabalho (Lérida, 2006), estimamos o efeito do primeiro, do segundo e do terceiro (ou mais) filhos sobre a participação feminina no mercado de trabalho, separadamente. Contudo, devido ao fato de que ter filhos e trabalhar constituem decisões muitas vezes tomadas simultaneamente pelas mulheres, estimar o efeito de filhos sobre sua participação no mercado não constitui tarefa trivial, já que os métodos convencionais não permitem que estimemos esse efeito, mas apenas a associação entre essas variáveis. Assim, estimamos o efeito de filhos com base em variáveis que afetam a fecundidade e que só afetam a oferta de trabalho feminina por meio da fecundidade; o que elimina o problema da endogeneidade filhos-trabalho feminino. Entre os resultados, de maneira geral, encontramos que os filhos diminuem a probabilidade de participação das mulheres no mercado de trabalho e que esse efeito é mais negativo quando se trata do primeiro e do terceiro (ou mais) filhos. Ademais, entre as décadas de 1990 e 2000, o efeito negativo de filhos sobre a participação feminina no mercado de trabalho perdeu magnitude.
The rapid decline in fertility and, at the same time, the increase of female labor force participation in the last few decades motivated studies focusing on the relationship between fertility and labor force decisions. The goal of this dissertation is to investigate the children-work relationship for females However, more than measuring this association, we are interested in estimating the effect of the children on female labor force participation, considering the trends in the relation over time. The impact of fertility decisions on ones professional career has many dimensions: it may lead them to quit working (temporarily or definitely), induce them to reduce working hours or even to cause them to change their occupation or market segment. In addition, it can delay their promotion to better jobs and wage increases (Maron & Meulders, 2007). In addition, based on the fact that each child may present a different effect upon the mothers labor supply decision, for example, the first child is the one has a stronger effect on the entrance or permanence of the mother in the labor market (Lérida, 2006). We have estimated, separately, the effect of the first, the second and the third (or above) children on female labor force participation. However, due to the fact that having children and working are, normally, simultaneous decisions, estimating the effect of the children upon their participation in the market does not constitute a trivial task, as the traditional methods do not allow us to estimate this effect, but only the association among these variables. Thus, we have estimated the effect of the children based on variables that affect the fertility and that only affect the female labor supply by means of the fertility, which eliminates the problem of the children-women labor endogeneity. We find that children reduce the probability of a woman to enter the labor force and that this effect is stronger for the first and third (or more) children. Moreover, between the decades of 1990 and 2000, the negative effect of the children on female labor supply diminished.