A noção de désoeuvrement no "Fausto" de Fernando Pessoa 

'Poema impossível', o 'Fausto', de Fernando Pessoa, parece ilustrar a noção de 'désoeuvrement', isto é, a inoperatividade do texto literário. Trata-se de um texto inacabado, fragmentado e marcado sempre pela ausência, como atestam seus versos que afirmam incessantemente...

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Access type:openAccess
Publication Date:2015
Main Author: Debora Araujo Drumond de Oliveira
Advisor: Sabrina Sedlmayer Pinto
Referee: Elcio Loureiro Cornelsen, Emílio Carlos Roscoe Maciel
Document type: Master thesis
Language:por
Published: Universidade Federal de Minas Gerais
Portuguese subjects:
Online Access:http://hdl.handle.net/1843/ECAP-A35N5C
Portuguese abstract:'Poema impossível', o 'Fausto', de Fernando Pessoa, parece ilustrar a noção de 'désoeuvrement', isto é, a inoperatividade do texto literário. Trata-se de um texto inacabado, fragmentado e marcado sempre pela ausência, como atestam seus versos que afirmam incessantemente a fratura entre homem e linguagem e o vazio da escrita, características que colocam em questão sua realização enquanto obra. Esta dissertação de mestrado, portanto, tem por objetivo, no primeiro capítulo, ler esses escritos associando as manifestações da falta que ali se encontram ao pensamento filosófico contemporâneo que se debruça sobre a questão da negatividade, notadamente a obra de Giorgio Agamben. Partindo do problema da negatividade e da constatação de que o homem é um ser sem obra, o segundo capítulo se dedica à noção de 'désoeuvrement', relação entre o ser e o não ser, a obra e a 'desobra', que aparece sobretudo nas investigações acerca do paradigma da comunidade de pensadores como Georges Bataille, Maurice Blanchot, Jean-Luc Nancy e Agamben. Em seguida, desenvolvemos a reflexão sobre a concepção agambeniana de inoperatividade no sentido de analisar o 'Fausto' pessoano enquanto escrita do 'désoeuvrement' e da potência, isto é, obra - assim como a escrita, o homem e a comunidade - inacabável e inapreensível, cujo inacabamento e cuja inapreensibilidade são uma falta constitutiva, o próprio motivo da escrita.
'Pome impossible', 'Fausto' de Fernando Pessoa semble illustrer la notion de 'désoeuvrement', c'est-à-dire, l'inachvement du texte littéraire. Il s'agit d'un texte inachevé, fragmenté et toujours marqué par l'absence, comme l'attestent ses vers qui affirment sans cesse la fracture entre l'homme et le langage et le vide de l'écriture, caractéristiques qui mettent en question sa réalisation en tant qu'oeuvre. Ce mémoire de Master a donc pour but, au premier chapitre, de lire ces écrits en associant les manifestations de la manque qui s'y trouvent à la pensée philosophique contemporaine qui se penche sur la question de la négativité, notamment l'oeuvre de Giorgio Agamben. En partant du problme de la négativité et de la constatation du fait que l'homme est un être sans oeuvre, le deuxime chapitre s'occupe de la notion de 'désoeuvrement', rapport entre l'être et le non-être, l'oeuvre et le désoeuvre, qui apparat surtout dans les investigations autour du paradigme de la communauté des penseurs Georges Bataille, Maurice Blanchot, Jean-Luc Nancy et Agamben. Ensuite, on développe la réflexion sur la conception agambenienne de l'inoperativité vers l'analyse du 'Fausto' de Pessoa en tant qu'écriture du 'désoeuvrement' et de la puissance, c'est-à-dire, une oeuvre - ainsi que l'écriture, l'homme et la communauté - inachevante et insaisissable, dont l'inachvement et l'insaisissabilité sont un manque constitutif, le motif même de l'écriture.