Teatro como experiência formativa: um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt

Este trabalho pode ser caracterizado como um exercício de compreensão. Trata-se de um exame das reverberações provocadas pela obra de Hannah Arendt em nosso modo de conceber as relações entre educação e linguagem teatral e, em especial, em nosso modo de refletir acerca do potencial formativo da expe...

Full description

Access type:openAccess
Publication Date:2016
Main Author: Thiago de Castro Leite
Advisor: José Sergio Fonseca de Carvalho
Referee: Vanessa Sievers de Almeida, Maria Lúcia de Souza Barros Pupo
Document type: Master thesis
Language:por
Published: Universidade de São Paulo
Program: Educação
Portuguese subjects:
English subjects:
Online Access:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-08092016-153359/
Portuguese abstract:Este trabalho pode ser caracterizado como um exercício de compreensão. Trata-se de um exame das reverberações provocadas pela obra de Hannah Arendt em nosso modo de conceber as relações entre educação e linguagem teatral e, em especial, em nosso modo de refletir acerca do potencial formativo da experiência teatral dentro do ambiente escolar. Ao conceber a educação como uma tarefa voltada para a inserção das novas gerações num legado de significados compartilhados, Hannah Arendt nos provoca a pensá-la sob a perspectiva do mundo. Assim para além de compreender que educar crianças e jovens consiste em prepará-los para viver, treinando habilidades e competências para que realizem inúmeras tarefas no mundo, Arendt identifica a atividade educativa como uma forma de apresentação do mundo, uma tentativa de familiarização com as experiências e obras que o constituem e que nos foram legadas por nossos antepassados. No que toca à linguagem teatral, os indícios encontrados em sua obra nos levam a sugerir a existência de uma especificidade para o teatro que reside na oportunidade para que aqueles que participam do evento artístico olhem para o mundo que é revelado na cena e possam pensar sobre ele, examiná-lo e atribuir-lhe algum sentido. Nesse encontro entre um alguém que representa ações humanas e um alguém que pode delas fruir como espectador, instaura-se uma oportunidade para a emergência de exercícios de compreensão sobre o próprio mundo. É por essa razão, por tais aspectos serem intrínsecos à linguagem teatral, que nosso percurso se dedica a pensá-la dentro do ambiente escolar, ou seja, como um ponto de vista sobre o mundo, como uma forma de inserir as novas gerações num legado comum. Todavia, essa inserção não consiste apenas em apresentar informações sobre o mundo humano, não diz respeito à somente conhecer o que nele ocorre, mas configura-se como uma chance de pensar sobre o mundo, ressignificando-o e, nesse processo, sendo transformado por ele. Um encontro afetivo entre as novas gerações e o legado de experiências e obras que constituem o mundo, ou seja, uma experiência formativa.
English abstract:This dissertation can be characterized as an exercise of understanding. It brings an analysis of the reverberations of Hannah Arendts work in our way of conceiving the relationships between education and theater language, especially in our way of thinking about the formative potential of the theatrical experience in school environment. When conceiving education as a task dedicated to the insertion of new generations in a legacy of shared meanings, Hannah Arendt causes us to think education in a world perspective. Hence, more than understanding that teaching children and youngsters consists in preparing them to live, training their skills and competences so that they can do several activities in the world, Arendt identifies education as a form of world presentation, an attempt of familiarizing students with the experiences and works which constitute the world and that our ancestors left us as a legacy. Regarding theatrical language, evidence found in her work allows us to suggest the existence of specificity for theater, which lies in the opportunity, for those who participate in the artistic event, to look to the world that is revealed in scene and think about it, examine it and assign it meaning. In this meeting between someone who represents human actions and someone who enjoys them as a spectator, it is possible to find the opportunity for understanding the world itself. For this reason, for such aspects are intrinsic to the theatrical language, our journey is dedicated to think it in the school environment, as a point of view on the world, as a form to enter new generations in a common legacy. Nevertheless, this insertion not only consists in presenting information about the human world, identifying what happens on it, but also consists in a chance to think about the world, assigning new meanings to it and, in this process, being changed by it. An affective encounter between new generations and the legacy of experiences and works that constitute the world: a formative experience.