Caracterização hidrogeológica e hidrogeoquímica da região do Mangue de Pedra (Armação dos Búzios, RJ)

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Rebelo, Vivian de Avelar las Casas
Data de Publicação: 2013
Tipo de documento: Trabalho de conclusão de curso
Idioma: por
Título da fonte: Repositório Institucional da UFRJ
Texto Completo: http://hdl.handle.net/11422/5398
Resumo: Localizado no município de Armação dos Búzios, na Praia Gorda, ocorre uma área de raro valor paisagístico, o Mangue de Pedra, o qual se destaca dos demais pela singularidade de sua ocorrência, pois se desenvolve em área sujeita à maré, porém em substrato rochoso e sem a presença de rios para aporte de água doce. Uma floresta jovem e majoritariamente arbustiva domina a paisagem, indicando estar em processo de desenvolvimento. Foi licenciado na área um empreendimento imobiliário e hoteleiro, porém, o Ministério Público solicitou a interdição, devido a pressões populares e de ONGs, com base na necessidade de conhecer a hidrogeologia local, uma vez que, estudos preliminares indicavam descarga de água subterrânea na praia. Assim, foram realizados estudos geológicos, hidrogeológicos e hidroquímicos na região com o objetivo de subsidiar parecer técnico-científico, além de fornecer dados para à gestão adequada do mangue. Para o desenvolvimento deste trabalho foram feitas 5 campanhas de campo com medidas in situ de pH, Eh, temperatura, condutividade elétrica (CE), sólidos totais dissolvidos (TDS) e percentual de cloreto de sódio (%NaCl), totalizando 46 amostras, em praias, lagoas, furos à trado e poços. Também foram recolhidas 9 amostras para análise química em laboratório dos parâmetros: pH, condutividade, resíduo de evaporação, dureza, carbonato, bicarbonato, alcalinidade, cloreto, sulfato, sódio, potássio, cálcio, manganês e análise isotópica. Foi realizado um inventário de poços, além de teste de bombeamento. Durante as campanhas de campo foram identificadas duas nascentes, a primeira localizada na parte baixa da trilha que dá acesso ao mangue e a segunda na região do empreendimento Gran Riserva 95. Observou-se que estes olhos d’água não secam ao longo do ano, mesmo nas estações secas, apesar do munícípio estar localizado em região de clima árido quente, baixa pluviosidade anual e, consequentemente, déficit hídrico. Os mapas de isovalores para TDS; CE e %NaCl mostram uma tendência de aumento destes parâmetros dos poços em direção ao litoral. Os gráficos comparativos de TDS; CE e %NaCl indicam que a água do mar na região do mangue sofre dissolução pelo aporte de água continental e que as águas das nascentes e dos poços são salobra à doce, cujo percentual de contaminação dada pelo sal ocorre, possivelmente, pelo “spray” marinho, já que não foi identificado a ocorrência de intrusão ou cunha salina. O mapa de isovalores para pH mostra uma tendência de aumento no pH dos poços em direção ao litoral, já o mapa de isovalores para o Eh mostra uma tendência de decréscimo nesta direção. O gráfico de Ph indica que 25% das águas analisadas são ácidas e 75% são alcalinas, porém para os poços, 91% das águas são ácidas e 9% alcalinas. O valor médio do pH para os poços é 5,72, como na maioria das águas subterrâneas que têm pH entre 5,5 e 8,5. O gráfico de Eh indica que a nascente do Mangue de Pedra apresenta valor negativo, associado a ambiente redutor e a lagoa da Baía Formosa valor positivo, relacionado a meio oxidante. Todos os demais pontos têm valores de Eh muito próximos de zero. O Diagrama de Eh-pH indica que a região do Mangue de Pedra está associada a ambiente caracterizado pela água do mar, porém com presença de águas continentais, as quais promovem a diluição da salinidade, tornando o ambiente salobro. As águas dos poços relacionam-se a ambientes de águas continentais, apresentando maior semelhança com as águas de chuva, o que deve estar relacionado à recarga do aquífero. O resultado das análises químicas mostra que a dureza temporária é igual a zero, e em consequência, a dureza permanente é igual à dureza total. A dureza de não carbonatos ocorre em 66,7% das amostras. A alcalinidade excede a dureza em apenas uma amostra e em duas a dureza excede a alcalinidade. Com relação à dureza total, 22% são classificadas como branda, 11% como pouco dura, 45% como dura e 22% como muito dura. O carbonato é igual a zero em todas as amostras, já o bicarbonato está presente em apenas 3 das 9 amostras analisadas. A análise comparativa das quantidades de carbonato e bicarbonato indica que 33,3% das amostras de água são de origem continental, incluindo a amostra de água recolhida na nascente do Mangue de Pedra, comprovando, assim, a existência de um aquífero, que fornece o aporte de água doce necessária para a existência e manutenção do Mangue de Pedra. A análise da alcalinidade em função do pH indica que 22% das amostras sofrem influência genética de ácidos minerais e 78% das amostras tem a alcalinidade formada a partir de bicarbonatos. Os Diagramas de Piper classificam as águas como cloretadas sódicas, possuindo cátions e ânions dominantes de sódio e cloreto, onde os teores de sódio indicam aporte de água doce continental com a ocorrência de extrusão de água salina por troca iônica, o que reflete a contribuição do aquífero no equilíbrio químico da região. O Diagrama Logarítmico classifica as águas para cálcio, magnésio sulfato e bicarbonato, com potabilidade permanentemente boa, já para sódio e cloreto, a potabilidade varia de permanentemente boa à má, indicando que as águas subterrâneas locais apresentam, em geral, condições razoáveis a boas do ponto de vista da potabilidade química, com uma assinatura química de diluição da água do mar. O gráfico com a relação isotópica de δ18O versus δD mostra que as amostras analisadas estão concentradas na região do gráfico muito próximo à Reta Meteorológica Local, indicando que os valores desses isótopos são parecidos com os observados na chuva da região e que aparentemente provem do mesmo aquífero. A relação linear entre a razão isotópica de δ18O versus δD indica clima seco, mas a baixa razão isotópica nas águas subterrâneas locais está associada ao pouco enriquecimento em isótopos pesados, devido ao pequeno grau de evaporação. Os resultados do teste de bombeamento mostram um rebaixamento do nível d’água de 1,26 metros, com vazão de bombeamento de 0,279 L3/s e vazão específica de 0,221 L3/s/m. A transmissividade hidráulica calculada foi de 59,8 m2/dia e a espessura média do aquífero é de 5,07 metros, resultando numa condutividade hidráulica de 11,79 m/dia. De acordo o mapa de fluxo subterrâneo, o tipo de superfície potenciométrica é uma superfície hiperbólica e as linhas de fluxo seguem um traçado divergente. Os resultados mostram que existe um aquífero livre, raso, que é abrigado pela Formação Barreiras e cuja área de recarga se localiza na região das Paleofalésias da Formação Barreiras e a área de descarga ocorre nas duas nascentes cadastradas e ao longo da linha da costa na praia Gorda. O aquífero foi batizado de Aquífero do Mangue de Pedra e se encontra em equilíbrio dinâmico com o ecossistema local, por isso, evitar a contaminação da água subterrânea e proteger sua área de recarga torna-se crucial para a geoconservação desta região singular, motivo pelo qual deve-se apoiar a criação de uma Unidade de Conservação que preserve a áreas topograficamente altas do aquífero, com a finalidade de manter este Patrimônio Geológico.
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O gráfico de Ph indica que 25% das águas analisadas são ácidas e 75% são alcalinas, porém para os poços, 91% das águas são ácidas e 9% alcalinas. O valor médio do pH para os poços é 5,72, como na maioria das águas subterrâneas que têm pH entre 5,5 e 8,5. O gráfico de Eh indica que a nascente do Mangue de Pedra apresenta valor negativo, associado a ambiente redutor e a lagoa da Baía Formosa valor positivo, relacionado a meio oxidante. Todos os demais pontos têm valores de Eh muito próximos de zero. O Diagrama de Eh-pH indica que a região do Mangue de Pedra está associada a ambiente caracterizado pela água do mar, porém com presença de águas continentais, as quais promovem a diluição da salinidade, tornando o ambiente salobro. As águas dos poços relacionam-se a ambientes de águas continentais, apresentando maior semelhança com as águas de chuva, o que deve estar relacionado à recarga do aquífero. O resultado das análises químicas mostra que a dureza temporária é igual a zero, e em consequência, a dureza permanente é igual à dureza total. A dureza de não carbonatos ocorre em 66,7% das amostras. A alcalinidade excede a dureza em apenas uma amostra e em duas a dureza excede a alcalinidade. Com relação à dureza total, 22% são classificadas como branda, 11% como pouco dura, 45% como dura e 22% como muito dura. O carbonato é igual a zero em todas as amostras, já o bicarbonato está presente em apenas 3 das 9 amostras analisadas. A análise comparativa das quantidades de carbonato e bicarbonato indica que 33,3% das amostras de água são de origem continental, incluindo a amostra de água recolhida na nascente do Mangue de Pedra, comprovando, assim, a existência de um aquífero, que fornece o aporte de água doce necessária para a existência e manutenção do Mangue de Pedra. A análise da alcalinidade em função do pH indica que 22% das amostras sofrem influência genética de ácidos minerais e 78% das amostras tem a alcalinidade formada a partir de bicarbonatos. Os Diagramas de Piper classificam as águas como cloretadas sódicas, possuindo cátions e ânions dominantes de sódio e cloreto, onde os teores de sódio indicam aporte de água doce continental com a ocorrência de extrusão de água salina por troca iônica, o que reflete a contribuição do aquífero no equilíbrio químico da região. O Diagrama Logarítmico classifica as águas para cálcio, magnésio sulfato e bicarbonato, com potabilidade permanentemente boa, já para sódio e cloreto, a potabilidade varia de permanentemente boa à má, indicando que as águas subterrâneas locais apresentam, em geral, condições razoáveis a boas do ponto de vista da potabilidade química, com uma assinatura química de diluição da água do mar. O gráfico com a relação isotópica de δ18O versus δD mostra que as amostras analisadas estão concentradas na região do gráfico muito próximo à Reta Meteorológica Local, indicando que os valores desses isótopos são parecidos com os observados na chuva da região e que aparentemente provem do mesmo aquífero. A relação linear entre a razão isotópica de δ18O versus δD indica clima seco, mas a baixa razão isotópica nas águas subterrâneas locais está associada ao pouco enriquecimento em isótopos pesados, devido ao pequeno grau de evaporação. Os resultados do teste de bombeamento mostram um rebaixamento do nível d’água de 1,26 metros, com vazão de bombeamento de 0,279 L3/s e vazão específica de 0,221 L3/s/m. A transmissividade hidráulica calculada foi de 59,8 m2/dia e a espessura média do aquífero é de 5,07 metros, resultando numa condutividade hidráulica de 11,79 m/dia. De acordo o mapa de fluxo subterrâneo, o tipo de superfície potenciométrica é uma superfície hiperbólica e as linhas de fluxo seguem um traçado divergente. Os resultados mostram que existe um aquífero livre, raso, que é abrigado pela Formação Barreiras e cuja área de recarga se localiza na região das Paleofalésias da Formação Barreiras e a área de descarga ocorre nas duas nascentes cadastradas e ao longo da linha da costa na praia Gorda. O aquífero foi batizado de Aquífero do Mangue de Pedra e se encontra em equilíbrio dinâmico com o ecossistema local, por isso, evitar a contaminação da água subterrânea e proteger sua área de recarga torna-se crucial para a geoconservação desta região singular, motivo pelo qual deve-se apoiar a criação de uma Unidade de Conservação que preserve a áreas topograficamente altas do aquífero, com a finalidade de manter este Patrimônio Geológico.
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