Adaptações da avifauna ao ecossistema de montanha

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Horta, Pedro Miguel Sobreiro
Data de Publicação: 2011
Tipo de documento: Dissertação
Idioma: por
Título da fonte: Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10773/7169
Resumo: Com o objectivo de caracterizar a avifauna do sector ocidental do sistema central ibérico e os comportamentos migratórios e dispersivos como adaptação às características específicas do ecossistema de montanha, de modo a permitir tirar algumas elações sobre o modo como poderão as aves reagir às alterações climáticas, foram realizados censos quinzenais, através do “Método dos Pontos”, entre Outubro de 2009 e Setembro de 2010, em 33 pontos fixos na serra da Estrela, Portugal, desde os 400 aos 1993 metros de altitude. O período de contagem foi de 10 minutos, nos quais, segundo o teste ao tempo ideal de contagem, se contabiliza mais de 90% dos indivíduos e das espécies. Os resultados revelam uma comunidade avifaunística com elevada riqueza específica, diversidade e percentagem de espécies ameaçadas. É no andar superior que se distribuiem as espécies de maior raridade e tipicas de alta montanha, apesar da riqueza específica e abundância globais diminuirem significativamente com a altitude. Deste modo, são os habitats a menor altitude que albergam as maiores abundâncias e riqueza. Apesar da marcada acção humana, os diferentes habitats, apresentam uma avifauna característica e bem estruturada, mais influenciada pela altitude do que pelo bioclima. Ainda assim, é na encosta mediterrânica que se encontra o maior número de espécies e de aves, verificando-se uma maior prevalência de espécies termófilas, sendo que as espécies típicas de climas temperados habitam preferencialmente a encosta eurosiberiana. A maioria das espécies apresenta populações migradoras, o que confirma a migração como a principal adaptação da avifauna ao ecossistema de montanha. A competição interespecífica contribuírá para o início e fim dos períodos migratórios uma vez que a chegada e a partida das invernantes coincide com a partida e chegada das estivais. Os resultados revelam uma relação da origem biogeográfica com a fenologia e da distância de migração com o tempo de permanência na área de estudo. Outros tipos de movimentos foram evidenciados por uma elevada percentagem de espécies que realiza movimentos altitudinais, e por outras, que mostram evidências de efectuarem deslocações longitudinais. Concluiu-se, ainda, que as aves não respondem directamente aos factores climatéricos mas às alterações que estes induzem nos biótopos. Ainda assim, a maior percentagem da variação das abundâncias de aves, justifica-se por factores biológicos, como a disponibilidade de recursos e a competição. Deste modo, pode-se concluir, que as alterações climáticas nas montanhas, poderão não ter uma influência directa na avifauna, mas a potencial migração dos habitats em direcção ao topo, deverá permitir a sua colonização por espécies típicas de zonas de menor altitude, o que potenciará a competição interespecifica, ameaçando as espécies restritas ao andar superior.
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É no andar superior que se distribuiem as espécies de maior raridade e tipicas de alta montanha, apesar da riqueza específica e abundância globais diminuirem significativamente com a altitude. Deste modo, são os habitats a menor altitude que albergam as maiores abundâncias e riqueza. Apesar da marcada acção humana, os diferentes habitats, apresentam uma avifauna característica e bem estruturada, mais influenciada pela altitude do que pelo bioclima. Ainda assim, é na encosta mediterrânica que se encontra o maior número de espécies e de aves, verificando-se uma maior prevalência de espécies termófilas, sendo que as espécies típicas de climas temperados habitam preferencialmente a encosta eurosiberiana. A maioria das espécies apresenta populações migradoras, o que confirma a migração como a principal adaptação da avifauna ao ecossistema de montanha. A competição interespecífica contribuírá para o início e fim dos períodos migratórios uma vez que a chegada e a partida das invernantes coincide com a partida e chegada das estivais. Os resultados revelam uma relação da origem biogeográfica com a fenologia e da distância de migração com o tempo de permanência na área de estudo. Outros tipos de movimentos foram evidenciados por uma elevada percentagem de espécies que realiza movimentos altitudinais, e por outras, que mostram evidências de efectuarem deslocações longitudinais. Concluiu-se, ainda, que as aves não respondem directamente aos factores climatéricos mas às alterações que estes induzem nos biótopos. Ainda assim, a maior percentagem da variação das abundâncias de aves, justifica-se por factores biológicos, como a disponibilidade de recursos e a competição. Deste modo, pode-se concluir, que as alterações climáticas nas montanhas, poderão não ter uma influência directa na avifauna, mas a potencial migração dos habitats em direcção ao topo, deverá permitir a sua colonização por espécies típicas de zonas de menor altitude, o que potenciará a competição interespecifica, ameaçando as espécies restritas ao andar superior.In order to characterize the mountain birds in Portugal, and migratory and dispersive behaviors as adaptation to specific features of the mountain ecosystem, in order to gauge how can the birds respond to climate change, there were conducted biweekly census by the “Points Method”, between October 2009 and September 2010, in 33 fixed points in “Serra da Estrela”, Portugal, since 400 to 1993 meters of altitude. The counting period was 10 minutes, in which, according to test of the "optimum period of counting", is counted more than 90% of individuals and species. The results revealed an birds community with high number of species, diversity and percentage of threatened species. Is in the higher areas, that species of greatest rarity and typical of high mountains are distributed, although the overall abundance and the number of species decrease with altitude. Thus, is in the basal habitats, where exist the greatest abundance and richness of species. Despite of the human action, the different habitats have a characteristic bird fauna a and well-structured, more influenced by altitude than by bioclimate. Still, it is in the Mediterranean slope that exist a largest number of species and birds, with a higher prevalence of thermophilic species. Is in the Temperate slope that exist, preferentially, species typical of temperate climates. Most species has migratory populations, confirming the migration as the main adaptation of birds to mountain ecosystem. The interspecific competition will contribute to the start and end of the migration periods, once the arrival and departure of the wintering species coincides with the departure and arrival of the breeding species. The results reveal a relationship between the biogeographical origin and the phenology, and the distance of migration with the time that they spent in the study area. Other types of movements were evidenced by a high percentage of species that performs altitudinal movements, and others that show evidence of making longitudinal movements It was concluded, that birds do not respond directly to climatic changes but to changes in the habitats induced by them. Still, the larger variations percentage in the abundance of birds, is justified by biological factors such as resource availability and the competition. Thus, one can conclude that global climate change in the mountains, may not have a direct influence on the avifauna, but the potential migration of habitats towards the top, should allow its colonization by species typical of lower areas, potentiating the interspecific competition, and threatening the species restricted to the higher belts.Universidade de Aveiro2012-03-08T17:37:21Z2011-01-01T00:00:00Z2011info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/10773/7169porHorta, Pedro Miguel Sobreiroinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos)instname:Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC) - FCT - Sociedade da Informaçãoinstacron:RCAAP2024-02-22T11:12:23Zoai:ria.ua.pt:10773/7169Portal AgregadorONGhttps://www.rcaap.pt/oai/openaireopendoar:71602024-03-20T02:44:57.323363Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos) - Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC) - FCT - Sociedade da Informaçãofalse
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