Efeitos combinados de desreguladores endócrinos em Daphnia magna

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Silva, Poliana Vanessa Monteiro Pinto e
Data de Publicação: 2011
Tipo de documento: Dissertação
Idioma: por
Título da fonte: Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10773/8226
Resumo: O planeta encontra-se inevitável e irremediávelmente exposto a um cocktail de misturas, afectando assim os sistemas aquáticos bem como o Homem. Os ensaios toxicológicos são o apoio fundamental que a ciência dispõe para a previsão estimada da toxicidade de um composto. Cerca de 70% do planeta é constituido por água, água essa que é consequência da acção de poluentes com um número infindável de compostos. Nos seres humanos, 90% dos poluentes ambientais são absorvidos através de alimentos e água contaminada. Os químicos capazes de causar desregulação endócrina pertencem a vários grupos de poluentes que se encontram em íntimo contacto com a biota. Os poluentes designadamente a atrazina, estradiol e benzo[a]pireno são os três compostos mais representativos da classe dos pesticidas, estrogénios e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Estudos indicam prevalência de células cancerígenas, mas também apresentam consequências nefastas a nível do sistema endócrino. Alguns DEs já se encontram regulamentados através de directivas comunitárias e legislação nacional para águas de consumo humano, no entanto, o estradiol não está contemplado, visto existeram lacunas quanto a estudos desenvolvidos com este composto. Através dos ensaios de toxicidade, as organizações da união europeia e agências para a protecção ambiental estabelecem limites de segurança permitidos para cada composto. Com o objectivo principal de avaliar o impacto da atrazina, estradiol e benzo[a]pireno, utilizando o organismo-teste Daphnia magna, realizaram-se testes toxicológicos agudos simples e em misturas. Os ensaios toxicológicos simples encontram-se em concordância com os descritos por autores, para valores de EC50. Nos testes toxicológicos em misturas, observou-se um aumento de toxicidade para os três compostos; particularmente a atrazina em que se observou uma toxicidade superior a 99%. No estradiol observou-se um aumento superior a 90%, e no benzo[a]pireno, um aumento superior a 75%. Nesta avaliação também foi fulcral a comparação com o valor do NOEC, valor imprescindível (entre outros factores) para o cálculo dos limites de segurança permitidos. O EC50 e EC5 obtidos nas misturas, comportaram-se de forma considerávelmente inferior ao NOEC obtido a partir dos ensaios simples. Após o término deste periodo de teste, as D. magna vivas no controlo e concentrações de poluentes utilizados na primeira mistura, foram transferidas para meio ASTM onde foram cultivadas de acordo com as normas regulamentadas durante quatorze dias. Mesmo em meio de cultura adequado á sua optima manutenção, e encontrandose expostas aos químicos apenas por 48 horas, apresentaram sinais de malformação ocular e reprodutiva. Embora os valores paramétricos referentes a águas de consumo humano para a atrazina e benzo[a]pireno apresentem segurança face aos resultados; o estradiol poderá ser um risco para a saúde humana e para os ecossistemas. Este estudo demonstra a necessidade urgente de estabelecer normas que protejam a integridade da biodiversidade a nível não só do químico estradiol mas dos demais DEs, que poderão ser potenciados pela adição de outros compostos com a mesma toxicocinética.
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Os poluentes designadamente a atrazina, estradiol e benzo[a]pireno são os três compostos mais representativos da classe dos pesticidas, estrogénios e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Estudos indicam prevalência de células cancerígenas, mas também apresentam consequências nefastas a nível do sistema endócrino. Alguns DEs já se encontram regulamentados através de directivas comunitárias e legislação nacional para águas de consumo humano, no entanto, o estradiol não está contemplado, visto existeram lacunas quanto a estudos desenvolvidos com este composto. Através dos ensaios de toxicidade, as organizações da união europeia e agências para a protecção ambiental estabelecem limites de segurança permitidos para cada composto. Com o objectivo principal de avaliar o impacto da atrazina, estradiol e benzo[a]pireno, utilizando o organismo-teste Daphnia magna, realizaram-se testes toxicológicos agudos simples e em misturas. Os ensaios toxicológicos simples encontram-se em concordância com os descritos por autores, para valores de EC50. Nos testes toxicológicos em misturas, observou-se um aumento de toxicidade para os três compostos; particularmente a atrazina em que se observou uma toxicidade superior a 99%. No estradiol observou-se um aumento superior a 90%, e no benzo[a]pireno, um aumento superior a 75%. Nesta avaliação também foi fulcral a comparação com o valor do NOEC, valor imprescindível (entre outros factores) para o cálculo dos limites de segurança permitidos. O EC50 e EC5 obtidos nas misturas, comportaram-se de forma considerávelmente inferior ao NOEC obtido a partir dos ensaios simples. Após o término deste periodo de teste, as D. magna vivas no controlo e concentrações de poluentes utilizados na primeira mistura, foram transferidas para meio ASTM onde foram cultivadas de acordo com as normas regulamentadas durante quatorze dias. Mesmo em meio de cultura adequado á sua optima manutenção, e encontrandose expostas aos químicos apenas por 48 horas, apresentaram sinais de malformação ocular e reprodutiva. Embora os valores paramétricos referentes a águas de consumo humano para a atrazina e benzo[a]pireno apresentem segurança face aos resultados; o estradiol poderá ser um risco para a saúde humana e para os ecossistemas. Este estudo demonstra a necessidade urgente de estabelecer normas que protejam a integridade da biodiversidade a nível não só do químico estradiol mas dos demais DEs, que poderão ser potenciados pela adição de outros compostos com a mesma toxicocinética.The planet is inevitable and irreparably exposed to a cocktail of mixtures, thereby affecting aquatic systems and the Human Being. The toxicological trials are the fundamental support that science has to estimated prediction of the toxicity of a compound. About 70% of the Planet consists in water, water that is a consequence of pollution of an endless number of compounds. In the Human Being, 90% of environmental pollutants are absorbed through the contaminated food and water. The chemicals that can cause endocrine disruption belong to several groups of pollutants that are in intimate contact with the ecosystems. The pollutants namely atrazine, estradiol and benzo[a]pyrene are the three compounds more representative of the pesticides class, polycyclic aromatic hydrocarbons and estrogens. Studies indicate prevalence of cancer cells, but also show harmful consequences at the endocrine system level. Some EDs are already regulated by European Union organizations and the Agency for the environment protection who establishes limits of security allowed for each compound. With the main goal of evaluate the impact of the atrazine, estradiol and benzo[a]pyrene using the test organism Daphnia magna, were performed acute toxicological tests with simple compounds and in mixtures. For values of EC50, the acute toxicological tests with simple compounds were consistent with those described by authors. Respecting toxicity testing in mixtures, it was observed an increased toxicity for the three compounds; specially atrazine where was observed a toxicity over 99%. In estradiol was observed an increase over 90%, and with benzo[a]pyrene, an increase over 75%. In this evaluation was also relevant the comparison of the value NOEC, important valuable (among other factors) for the calculation of safety limits allowed. The EC50 and EC5 obtained for mixtures behaved in a manner considerably inferior than the NOEC obtained from simple experiments. Upon completion of this test period, the living D. magna of control and from the first concentration used in mixtures, were transferred to the medium culture ASTM where were cultivated in accordance with standard regulations for more than fourteen days. Even in appropriate medium culture to their grown and exposed to chemicals only for 48 hours, they shown ocular and reproductive malformation signals. Although the parametric values for drinking water to atrazine and benzo[a]pyrene shown security face the results; estradiol can be a risk to the human health and ecosystems. The study shows the urgent need to establish standards protocols that can protect the integrity of the biodiversity at a level not only of the chemical estradiol but also the other EDs that could be enhanced by the addition of other compounds with the same toxic kinetics.Universidade de Aveiro2012-04-19T07:59:04Z2011-01-01T00:00:00Z2011info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/10773/8226porSilva, Poliana Vanessa Monteiro Pinto einfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos)instname:Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC) - FCT - Sociedade da Informaçãoinstacron:RCAAP2024-02-22T11:14:01Zoai:ria.ua.pt:10773/8226Portal AgregadorONGhttps://www.rcaap.pt/oai/openaireopendoar:71602024-03-20T02:45:31.429677Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos) - Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC) - FCT - Sociedade da Informaçãofalse
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