Cidades verticais: a reinvenção da Unité d'Habitation à Marseille de Le Corbusier como tipologia habitacional contemporânea

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Miguel, Elisiário João
Data de Publicação: 2012
Tipo de documento: Dissertação
Idioma: por
Título da fonte: Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10400.6/2350
Resumo: A cidade moderna Corbusiana optava pela alta concentração, sem renunciar, contudo, a presença do verde. De facto, suas propostas só podem ser entendidas em relação às suas concepções de integração da arquitectura na natureza. Não em uma perspectiva romântica de modo a dissimular a actuação humana, mas, pelo contrário, potencializando a exibição da arquitectura como jóia criada artificialmente e implantada sob o verde. Em seus projectos de cidade, onde explicita sua opção pelas altas densidades, vê-se que a publicitação do contacto com a natureza e a permeabilidade espacial se pautam justamente na liberação do solo e na criação de uma paisagem verdejada onde se inserem as construções. Em geral, a partir da primeira ideia de torres implantadas em amplos gramados arborizados, Le Corbusier trabalha seus modelos de “Cidade-Jardim Vertical”. Neste seguimento, Le Corbusier reivindicou que a Unité d'Habitation foi o resultado de “gestação de 40 anos”. A criação da Unité parece ter sido o resultado da utilização e modificação de elementos específicos, muitas vezes em pequenas cadeias de ligações ao longo dos anos, tais como: os “cinco pontos da nova arquitectura moderna”, ou mesmo a garrafa de Le Corbusier, “Bouteille bouteiller”. É precisamente no imediato pós segunda guerra que se encontram reunidas as condições de necessidade que permitiram levar a cabo experiências novas no âmbito da habitação que superassem dificuldades sentidas ao longo de décadas. É neste contexto que surge a proposta da Unité d’Habitation de Marseille de Le Corbusier, um edifício protótipo de carácter experimental, onde o arquitecto ensaia muitas das suas teorias, forjadas ao longo da sua vida. Estas teorias prendem-se tanto com os princípios comuns do Movimento Moderno como, e sobretudo, com as ideias recorrentes do próprio arquitecto: o abandono do quarteirão tradicional pela escolha de uma implantação que esquece a lógica da rua, permitindo o agenciamento de um parque envolvente, onde encontramos a demonstração do princípio de Le Corbusier que melhor nos ajuda a compreender o seu conceito de Cité Jardin Verticale: “les matériaux de l’urbanisme sont: le soleil, le ciel, les arbres, l’acier, le ciment, dans cet ordre et cette hierarchie”1. Com base nesta teoria forjada por Le Corbusier e sabendo que a cidade actual não favorece sempreo melhor modo de viver das pessoas, muito menos da integração social das mesmas, chegou novamente a altura de pesquisar e encontrar um protótipo habitacional que possa corresponder mais efectivamente as exigências actuais. No entanto, a principal dificuldade passa pela rentabilidade na execução, visto que actualmente existe construção excessiva e desconectada, sendo este um problema que é necessário ultrapassar com construções que interliguem as várias funções que a sociedade necessita, incluindo também flexibilidade nos espaços do universo familiar. Assim o projecto de habitação multifamiliar exige cada vez mais que se tenham em mente os factores sociais, económicos e sustentáveis. No que toca aos factores sociais, são cada vez mais imprevisíveis, devido às constantes mutações das sociedades. Devido a este facto, é necessário que a arquitectura pense e valorize cada vez mais a habitação como organismo aberto a mutação e a expansibilidade. Deste modo, apresenta-se uma proposta que pretende ir ao encontro dos ideais das Unités de Le Corbusier e que renove e inove habitação colectiva.
id RCAP_a93a97f4522e4eec2ae05d95560d5c96
oai_identifier_str oai:ubibliorum.ubi.pt:10400.6/2350
network_acronym_str RCAP
network_name_str Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos)
repository_id_str 7160
spelling Cidades verticais: a reinvenção da Unité d'Habitation à Marseille de Le Corbusier como tipologia habitacional contemporâneaLe CorbusierCidades verticaisA cidade moderna Corbusiana optava pela alta concentração, sem renunciar, contudo, a presença do verde. De facto, suas propostas só podem ser entendidas em relação às suas concepções de integração da arquitectura na natureza. Não em uma perspectiva romântica de modo a dissimular a actuação humana, mas, pelo contrário, potencializando a exibição da arquitectura como jóia criada artificialmente e implantada sob o verde. Em seus projectos de cidade, onde explicita sua opção pelas altas densidades, vê-se que a publicitação do contacto com a natureza e a permeabilidade espacial se pautam justamente na liberação do solo e na criação de uma paisagem verdejada onde se inserem as construções. Em geral, a partir da primeira ideia de torres implantadas em amplos gramados arborizados, Le Corbusier trabalha seus modelos de “Cidade-Jardim Vertical”. Neste seguimento, Le Corbusier reivindicou que a Unité d'Habitation foi o resultado de “gestação de 40 anos”. A criação da Unité parece ter sido o resultado da utilização e modificação de elementos específicos, muitas vezes em pequenas cadeias de ligações ao longo dos anos, tais como: os “cinco pontos da nova arquitectura moderna”, ou mesmo a garrafa de Le Corbusier, “Bouteille bouteiller”. É precisamente no imediato pós segunda guerra que se encontram reunidas as condições de necessidade que permitiram levar a cabo experiências novas no âmbito da habitação que superassem dificuldades sentidas ao longo de décadas. É neste contexto que surge a proposta da Unité d’Habitation de Marseille de Le Corbusier, um edifício protótipo de carácter experimental, onde o arquitecto ensaia muitas das suas teorias, forjadas ao longo da sua vida. Estas teorias prendem-se tanto com os princípios comuns do Movimento Moderno como, e sobretudo, com as ideias recorrentes do próprio arquitecto: o abandono do quarteirão tradicional pela escolha de uma implantação que esquece a lógica da rua, permitindo o agenciamento de um parque envolvente, onde encontramos a demonstração do princípio de Le Corbusier que melhor nos ajuda a compreender o seu conceito de Cité Jardin Verticale: “les matériaux de l’urbanisme sont: le soleil, le ciel, les arbres, l’acier, le ciment, dans cet ordre et cette hierarchie”1. Com base nesta teoria forjada por Le Corbusier e sabendo que a cidade actual não favorece sempreo melhor modo de viver das pessoas, muito menos da integração social das mesmas, chegou novamente a altura de pesquisar e encontrar um protótipo habitacional que possa corresponder mais efectivamente as exigências actuais. No entanto, a principal dificuldade passa pela rentabilidade na execução, visto que actualmente existe construção excessiva e desconectada, sendo este um problema que é necessário ultrapassar com construções que interliguem as várias funções que a sociedade necessita, incluindo também flexibilidade nos espaços do universo familiar. Assim o projecto de habitação multifamiliar exige cada vez mais que se tenham em mente os factores sociais, económicos e sustentáveis. No que toca aos factores sociais, são cada vez mais imprevisíveis, devido às constantes mutações das sociedades. Devido a este facto, é necessário que a arquitectura pense e valorize cada vez mais a habitação como organismo aberto a mutação e a expansibilidade. Deste modo, apresenta-se uma proposta que pretende ir ao encontro dos ideais das Unités de Le Corbusier e que renove e inove habitação colectiva.The modern Corbusian city opted for high concentration, without abandoning, however, presence of green. In fact, these proposals can only be understood in relation to their integration of architecture designs in nature. Not in a romantic perspective in order to disguise the human action, but, on the contrary, increasing the view of architecture as jewelry artificially created and implanted under the green. In his projects of the city, where he explains his choice for high densities, one can verify that publicizing the contact with nature and spatial permeability are guided precisely in releasing soil and creating a green landscape where buildings are inserted. In general, from the first idea of towers deployed on large lawns, Le Corbusier works his models of "Vertical Garden City ". Following this, Le Corbusier claimed that the Unité d'Habitation was the result of a "40 year gestation". The creation of the Unité appears to be the result of usage and modification of specific elements, often in small chain links over the years, such as the "five points of the new modern architecture", or even Le Corbusier’s bottle, "Bouteille Bouteiller". It is precisely in the immediate post World War II that the conditions necessary to carry out new housing experiments allowed to overcome difficulties experienced for decades, are met. It is in this context that Le Corbusier’s proposal for the Unité d'Habitation de Marseille emerges, an experimental prototype building, where the architect rehearses many of his theories, forged throughout his life. These theories hold up well with the common principles of the Modern Movement and, above all, with the architects own recurring ideas: the abandonment of traditional block by choosing a deployment that forgets the logic of the street, allowing the assemblage of a surrounding park, where we find the statement of the principle of Le Corbusier that helps us better understand the concept of Cité Jardin Verticale: “les matériaux de l’urbanisme sont: le soleil, le ciel, les arbres, l’acier, le ciment, dans cet ordre et cette hierarchie”2. Based on this theory forged by Le Corbusier and knowing that the current city doesn’t always favor a better way of living for the people, even less the same social integration, again came the time to research and find a housing prototype that can more effectively meet the current requirements. However, the main difficulty in the execution goes through profitability, since currently there is excessive and disconnected building, this being a problem to be overcome with buildings that interconnect the various roles that society needs, also including flexibility in spaces in the family universe. So the multifamily housing project requires more than ever, having in mind social, economic and sustainable factors. Regarding social factors, they are becoming increasingly unpredictable due to the rapidly changing societies. Because of this, it is necessary that architecture considers and values housing capable of mutation and expandability. Therefore the proposal presented aims to meet the ideals of Le Corbusier Unités to renew and innovate collective housing.Candela Suárez, MaríauBibliorumMiguel, Elisiário João2014-10-02T09:04:40Z201220122012-01-01T00:00:00Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/10400.6/2350porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos)instname:Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC) - FCT - Sociedade da Informaçãoinstacron:RCAAP2023-12-15T09:38:21Zoai:ubibliorum.ubi.pt:10400.6/2350Portal AgregadorONGhttps://www.rcaap.pt/oai/openaireopendoar:71602024-03-20T00:44:02.542208Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos) - Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC) - FCT - Sociedade da Informaçãofalse
dc.title.none.fl_str_mv Cidades verticais: a reinvenção da Unité d'Habitation à Marseille de Le Corbusier como tipologia habitacional contemporânea
title Cidades verticais: a reinvenção da Unité d'Habitation à Marseille de Le Corbusier como tipologia habitacional contemporânea
spellingShingle Cidades verticais: a reinvenção da Unité d'Habitation à Marseille de Le Corbusier como tipologia habitacional contemporânea
Miguel, Elisiário João
Le Corbusier
Cidades verticais
title_short Cidades verticais: a reinvenção da Unité d'Habitation à Marseille de Le Corbusier como tipologia habitacional contemporânea
title_full Cidades verticais: a reinvenção da Unité d'Habitation à Marseille de Le Corbusier como tipologia habitacional contemporânea
title_fullStr Cidades verticais: a reinvenção da Unité d'Habitation à Marseille de Le Corbusier como tipologia habitacional contemporânea
title_full_unstemmed Cidades verticais: a reinvenção da Unité d'Habitation à Marseille de Le Corbusier como tipologia habitacional contemporânea
title_sort Cidades verticais: a reinvenção da Unité d'Habitation à Marseille de Le Corbusier como tipologia habitacional contemporânea
author Miguel, Elisiário João
author_facet Miguel, Elisiário João
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Candela Suárez, María
uBibliorum
dc.contributor.author.fl_str_mv Miguel, Elisiário João
dc.subject.por.fl_str_mv Le Corbusier
Cidades verticais
topic Le Corbusier
Cidades verticais
description A cidade moderna Corbusiana optava pela alta concentração, sem renunciar, contudo, a presença do verde. De facto, suas propostas só podem ser entendidas em relação às suas concepções de integração da arquitectura na natureza. Não em uma perspectiva romântica de modo a dissimular a actuação humana, mas, pelo contrário, potencializando a exibição da arquitectura como jóia criada artificialmente e implantada sob o verde. Em seus projectos de cidade, onde explicita sua opção pelas altas densidades, vê-se que a publicitação do contacto com a natureza e a permeabilidade espacial se pautam justamente na liberação do solo e na criação de uma paisagem verdejada onde se inserem as construções. Em geral, a partir da primeira ideia de torres implantadas em amplos gramados arborizados, Le Corbusier trabalha seus modelos de “Cidade-Jardim Vertical”. Neste seguimento, Le Corbusier reivindicou que a Unité d'Habitation foi o resultado de “gestação de 40 anos”. A criação da Unité parece ter sido o resultado da utilização e modificação de elementos específicos, muitas vezes em pequenas cadeias de ligações ao longo dos anos, tais como: os “cinco pontos da nova arquitectura moderna”, ou mesmo a garrafa de Le Corbusier, “Bouteille bouteiller”. É precisamente no imediato pós segunda guerra que se encontram reunidas as condições de necessidade que permitiram levar a cabo experiências novas no âmbito da habitação que superassem dificuldades sentidas ao longo de décadas. É neste contexto que surge a proposta da Unité d’Habitation de Marseille de Le Corbusier, um edifício protótipo de carácter experimental, onde o arquitecto ensaia muitas das suas teorias, forjadas ao longo da sua vida. Estas teorias prendem-se tanto com os princípios comuns do Movimento Moderno como, e sobretudo, com as ideias recorrentes do próprio arquitecto: o abandono do quarteirão tradicional pela escolha de uma implantação que esquece a lógica da rua, permitindo o agenciamento de um parque envolvente, onde encontramos a demonstração do princípio de Le Corbusier que melhor nos ajuda a compreender o seu conceito de Cité Jardin Verticale: “les matériaux de l’urbanisme sont: le soleil, le ciel, les arbres, l’acier, le ciment, dans cet ordre et cette hierarchie”1. Com base nesta teoria forjada por Le Corbusier e sabendo que a cidade actual não favorece sempreo melhor modo de viver das pessoas, muito menos da integração social das mesmas, chegou novamente a altura de pesquisar e encontrar um protótipo habitacional que possa corresponder mais efectivamente as exigências actuais. No entanto, a principal dificuldade passa pela rentabilidade na execução, visto que actualmente existe construção excessiva e desconectada, sendo este um problema que é necessário ultrapassar com construções que interliguem as várias funções que a sociedade necessita, incluindo também flexibilidade nos espaços do universo familiar. Assim o projecto de habitação multifamiliar exige cada vez mais que se tenham em mente os factores sociais, económicos e sustentáveis. No que toca aos factores sociais, são cada vez mais imprevisíveis, devido às constantes mutações das sociedades. Devido a este facto, é necessário que a arquitectura pense e valorize cada vez mais a habitação como organismo aberto a mutação e a expansibilidade. Deste modo, apresenta-se uma proposta que pretende ir ao encontro dos ideais das Unités de Le Corbusier e que renove e inove habitação colectiva.
publishDate 2012
dc.date.none.fl_str_mv 2012
2012
2012-01-01T00:00:00Z
2014-10-02T09:04:40Z
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv http://hdl.handle.net/10400.6/2350
url http://hdl.handle.net/10400.6/2350
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
application/pdf
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos)
instname:Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC) - FCT - Sociedade da Informação
instacron:RCAAP
instname_str Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC) - FCT - Sociedade da Informação
instacron_str RCAAP
institution RCAAP
reponame_str Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos)
collection Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos)
repository.name.fl_str_mv Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (Repositórios Cientìficos) - Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC) - FCT - Sociedade da Informação
repository.mail.fl_str_mv
_version_ 1799136338198396928