Entre cinzas e diamantes, a ambivalência de uma geração: a trilogia da guerra de Andrzej Wajda e as representações cinematográficas da resistência polonesa (1948-1958)
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Data de Publicação: | 2016 |
Tipo de documento: | Dissertação |
Idioma: | por |
Título da fonte: | Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) |
Texto Completo: | https://app.uff.br/riuff/handle/1/14411 |
Resumo: | Este trabalho constitui-se como uma análise sociocultural da cinematografia nacional polonesa no imediato após segunda guerra, a fim de compreender historicamente a identidade geracional da Escola Polonesa de cinema, com destaque para um de seus mais famosos diretores – Andrzej Wajda. Nesta dissertação, portanto, optei por analisar os filmes da trilogia da guerra wajdaniana, lançados na Polônia entre 1955 e 1958. Meu propósito é concretizar uma investigação das representações da resistência nacional nos três filmes, buscando oferecer uma contribuição original às reflexões sobre o cinema polonês na segunda metade da década de 1950. Para tanto, procuro analisar as políticas culturais do regime stalinista para o cinema na Polônia e seus reflexos sobre a atuação dos realizadores, que, ou se posicionaram aliados aos soviéticos, ou manifestaram sinais de oposição à sua presença na Polônia – quando muito, demonstraram certa ambivalência em suas atitudes artísticas, operando com o arcabouço estético-narrativo ora do realismo socialista, ora de cinematografias desprezadas pelo regime, como o Neorrealismo italiano. A análise da trajetória de Andrzej Wajda descortina a biografia de toda uma geração de realizadores recém-formados nas instituições cinematográficas surgidas após a guerra, assim como os seus anseios artísticos de representar em imagens e sons os efeitos catastróficos da guerra total sobre a Polônia. Uma das hipóteses definidoras desta dissertação é que o diretor Andrzej Wajda, na medida em que buscou representar em seus três primeiros filmes os temas silenciados da história polonesa recente, não somente trouxe à tona um de seus principais tabus – a resistência clandestina durante a guerra –, como também o desconstruiu e o desmonumentalizou. Em contrapartida, uma das surpresas advindas da análise fílmica e de fontes extrafílmicas foi a percepção de que Wajda, ao contrário do que supõe a memória de grupo enquadrada pelos cineastas da Escola Polonesa, em alguns momentos assumiu uma postura ambígua em relação aos preceitos da política cultural realista socialista. Eis aí outra hipótese relevante em minha argumentação: a Escola Polonesa de cinema, apesar de suas críticas ao cinema pré-guerra e, sobretudo, ao realismo socialista, foi capaz de assumir certa flexibilidade na adesão de seus conteúdos. |
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