Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Silva, Jane Ciambele Souza da
Data de Publicação: 2016
Tipo de documento: Dissertação
Idioma: por
Título da fonte: Repositório Institucional da UFRN
Texto Completo: https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/22845
Resumo: A cidade de Natal possui várias áreas habitadas vulneráveis a desastres, entre as quais se encontra o bairro popular de Mãe Luíza, que possui 16.547 mil habitantes e se localiza em região de dunas, na região litorânea, vizinho ao bairro de Areia Preta, cujo m2 é o mais valorizado da cidade. As fortes chuvas (285 mm) que atingiram Natal nos dias 13 e 14 de junho de 2014, em meio ao cenário da Copa Mundial de Futebol da FIFA, provocaram no bairro de Mãe Luíza, no dia 14 de junho, enxurradas, que resultaram em alagamentos e um intenso deslizamento de terra, capaz de formar uma imensa cratera (área de 10.000 m2 e profundidade de 30 m) no solo, destruindo, totalmente, 26 casas e afetando a vida de 187 famílias. Assim como tem ocorrido em outros desastres, a população foi a primeira a agir diante dos riscos, mesmo sem possuir a capacitação adequada para este fim. A solidariedade emergiu da população e se alastrou de forma coletiva no bairro, como se constatou e geralmente ocorre nessas situações. Durante o desastre ficou explícita a fragilidade e o despreparo das organizações governamentais e não governamentais e, também, da comunidade, para lidar com a situação de crise. Infere-se que o nível de fragilidade no enfrentamento dos riscos e desastre aumenta sem a participação da população e, ainda mais, se esta não for qualificada para atuar nestas situações. Considerando o desastre como um acontecimento social, dinâmico e complexo, é fundamental compreender como as sociedades podem lidar com este fenômeno de maneira adaptativa, de maneira a aumentar a sua resiliência e reduzir os riscos e impactos provocados pelo desastre. A Organização das Nações Unidas tem promovido e implementado uma série de estratégias voltadas para a redução dos riscos de desastres no mundo, assentada na melhoria da resiliência das cidades. Em 2012, o Brasil reformulou sua política de gestão de riscos e desastres, promulgando a Lei nº 12.608, com base nestas estratégias. Esta pesquisa tem como objetivo geral “Compreender de que maneira as ações de solidariedade realizadas entre os membros da comunidade de Mãe Luíza durante as fases de mobilização, resposta e recuperação do desastre contribuem para a promoção da resiliência da comunidade”. Trata-se de uma pesquisa descritiva e explicativa, quanto aos objetivos; estudo de caso, participativa, bibliográfica e documental, quanto aos procedimentos de coleta; estudo de campo, bibliográfica e documental, quanto às fontes de informação; e qualitativa, quanto à natureza dos dados. O bairro de Mãe Luíza foi o local escolhido para a realização da pesquisa e os sujeitos da pesquisa são as vítimas de desastre, as autoridades e os agentes de proteção e defesa civil, dos órgãos governamentais e não-governamentais, envolvidos no desastre ocorrido em junho de 2014, que concordaram em participar da pesquisa. As ações de solidariedade referentes às fases de mobilização e resposta foram quantificadas, levando em consideração a porcentagem de vezes em que o tipo de ação praticada ou testemunhada foi relatada, a porcentagem por tipo de vinculo social entre a pessoa que realizou a ação e a pessoa favorecida e se a ação relatada foi bem ou mal sucedida, do ponto de vista dos próprios moradores. Os resultados mostraram que das 23 (100%) pessoas entrevistadas nenhuma relatou ações de solidariedade praticadas nas etapas de prevenção de desastre e de preparação. 8,7% das pessoas relataram ações de solidariedade realizadas ou testemunhadas na etapa de mobilização, 100% relataram ações de solidariedade realizadas na etapa de resposta e nenhuma relatou ação de solidariedade praticada ou testemunhada na etapa de recuperação. De acordo com os moradoresque participaram da pesquisa, as ações de solidariedade ocorreram espontaneamente e foram regidas pelo sentimento de amor ao próximo e de compaixão para com o sofrimento do outro, acompanhado pelo desejo de amenizar tal situação. No que diz respeito ao motivo pelo qual a pessoa teria agido solidariamente, os moradores acreditam que o amor ao próximo é também o principal motivo.Concluiu-se que o despreparo dos agentes dos órgãos municipais responsáveis pela gestão de riscos de desastres e, em consequência, dos membros da comunidade afetada, somado à ausência de um plano de contingência da cidade do Natal, contribuiu para o agravamento dos riscos existentes no bairro de Mãe Luíza, o que acabou resultando no desastre aqui estudado e fazendo com que a comunidade agisse por conta própria, solidariamente, mesmo sem a coordenação adequada - antes, durante e depois do desastre. Contudo, constatou-se que certas ações de solidariedade, praticadas por membros da comunidade, contribuíram para mitigar os riscos, minimizar os danos e amenizar os sofrimentos provocados pelo desastre, culminando, ainda, no fortalecimento dos vínculos e laços comunitários. Concluiu-se que a prática de ações de solidariedade, também voltadas para a gestão de riscos de desastres, deva ser incentivada nas comunidades, por parte dos órgãos de proteção e defesa civil municipal e estadual e das lideranças comunitárias, visando desenvolver e melhorar a resiliência comunitária e global do sistema.
id UFRN_aa2b11cf9a1dc9a6b96d86254ebb5216
oai_identifier_str oai:https://repositorio.ufrn.br:123456789/22845
network_acronym_str UFRN
network_name_str Repositório Institucional da UFRN
repository_id_str
spelling Silva, Jane Ciambele Souza daSaldanha, Maria Christine WerbaCarvalho, Paulo Victor Rodrigues deBinde, Pitagoras JoseCarvalho, Ricardo Jose Matos de2017-05-09T18:09:19Z2017-05-09T18:09:19Z2016-04-04SILVA, Jane Ciambele Souza da. Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN. 2016. 153f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Centro de Tecnologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2016.https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/22845A cidade de Natal possui várias áreas habitadas vulneráveis a desastres, entre as quais se encontra o bairro popular de Mãe Luíza, que possui 16.547 mil habitantes e se localiza em região de dunas, na região litorânea, vizinho ao bairro de Areia Preta, cujo m2 é o mais valorizado da cidade. As fortes chuvas (285 mm) que atingiram Natal nos dias 13 e 14 de junho de 2014, em meio ao cenário da Copa Mundial de Futebol da FIFA, provocaram no bairro de Mãe Luíza, no dia 14 de junho, enxurradas, que resultaram em alagamentos e um intenso deslizamento de terra, capaz de formar uma imensa cratera (área de 10.000 m2 e profundidade de 30 m) no solo, destruindo, totalmente, 26 casas e afetando a vida de 187 famílias. Assim como tem ocorrido em outros desastres, a população foi a primeira a agir diante dos riscos, mesmo sem possuir a capacitação adequada para este fim. A solidariedade emergiu da população e se alastrou de forma coletiva no bairro, como se constatou e geralmente ocorre nessas situações. Durante o desastre ficou explícita a fragilidade e o despreparo das organizações governamentais e não governamentais e, também, da comunidade, para lidar com a situação de crise. Infere-se que o nível de fragilidade no enfrentamento dos riscos e desastre aumenta sem a participação da população e, ainda mais, se esta não for qualificada para atuar nestas situações. Considerando o desastre como um acontecimento social, dinâmico e complexo, é fundamental compreender como as sociedades podem lidar com este fenômeno de maneira adaptativa, de maneira a aumentar a sua resiliência e reduzir os riscos e impactos provocados pelo desastre. A Organização das Nações Unidas tem promovido e implementado uma série de estratégias voltadas para a redução dos riscos de desastres no mundo, assentada na melhoria da resiliência das cidades. Em 2012, o Brasil reformulou sua política de gestão de riscos e desastres, promulgando a Lei nº 12.608, com base nestas estratégias. Esta pesquisa tem como objetivo geral “Compreender de que maneira as ações de solidariedade realizadas entre os membros da comunidade de Mãe Luíza durante as fases de mobilização, resposta e recuperação do desastre contribuem para a promoção da resiliência da comunidade”. Trata-se de uma pesquisa descritiva e explicativa, quanto aos objetivos; estudo de caso, participativa, bibliográfica e documental, quanto aos procedimentos de coleta; estudo de campo, bibliográfica e documental, quanto às fontes de informação; e qualitativa, quanto à natureza dos dados. O bairro de Mãe Luíza foi o local escolhido para a realização da pesquisa e os sujeitos da pesquisa são as vítimas de desastre, as autoridades e os agentes de proteção e defesa civil, dos órgãos governamentais e não-governamentais, envolvidos no desastre ocorrido em junho de 2014, que concordaram em participar da pesquisa. As ações de solidariedade referentes às fases de mobilização e resposta foram quantificadas, levando em consideração a porcentagem de vezes em que o tipo de ação praticada ou testemunhada foi relatada, a porcentagem por tipo de vinculo social entre a pessoa que realizou a ação e a pessoa favorecida e se a ação relatada foi bem ou mal sucedida, do ponto de vista dos próprios moradores. Os resultados mostraram que das 23 (100%) pessoas entrevistadas nenhuma relatou ações de solidariedade praticadas nas etapas de prevenção de desastre e de preparação. 8,7% das pessoas relataram ações de solidariedade realizadas ou testemunhadas na etapa de mobilização, 100% relataram ações de solidariedade realizadas na etapa de resposta e nenhuma relatou ação de solidariedade praticada ou testemunhada na etapa de recuperação. De acordo com os moradoresque participaram da pesquisa, as ações de solidariedade ocorreram espontaneamente e foram regidas pelo sentimento de amor ao próximo e de compaixão para com o sofrimento do outro, acompanhado pelo desejo de amenizar tal situação. No que diz respeito ao motivo pelo qual a pessoa teria agido solidariamente, os moradores acreditam que o amor ao próximo é também o principal motivo.Concluiu-se que o despreparo dos agentes dos órgãos municipais responsáveis pela gestão de riscos de desastres e, em consequência, dos membros da comunidade afetada, somado à ausência de um plano de contingência da cidade do Natal, contribuiu para o agravamento dos riscos existentes no bairro de Mãe Luíza, o que acabou resultando no desastre aqui estudado e fazendo com que a comunidade agisse por conta própria, solidariamente, mesmo sem a coordenação adequada - antes, durante e depois do desastre. Contudo, constatou-se que certas ações de solidariedade, praticadas por membros da comunidade, contribuíram para mitigar os riscos, minimizar os danos e amenizar os sofrimentos provocados pelo desastre, culminando, ainda, no fortalecimento dos vínculos e laços comunitários. Concluiu-se que a prática de ações de solidariedade, também voltadas para a gestão de riscos de desastres, deva ser incentivada nas comunidades, por parte dos órgãos de proteção e defesa civil municipal e estadual e das lideranças comunitárias, visando desenvolver e melhorar a resiliência comunitária e global do sistema.A cidade de Natal possui várias áreas habitadas vulneráveis a desastres, entre as quais se encontra o bairro popular de Mãe Luíza, que possui 16.547 mil habitantes e se localiza em região de dunas, na região litorânea, vizinho ao bairro de Areia Preta, cujo m2 é o mais valorizado da cidade. As fortes chuvas (285 mm) que atingiram Natal nos dias 13 e 14 de junho de 2014, em meio ao cenário da Copa Mundial de Futebol da FIFA, provocaram no bairro de Mãe Luíza, no dia 14 de junho, enxurradas, que resultaram em alagamentos e um intenso deslizamento de terra, capaz de formar uma imensa cratera (área de 10.000 m2 e profundidade de 30 m) no solo, destruindo, totalmente, 26 casas e afetando a vida de 187 famílias. Assim como tem ocorrido em outros desastres, a população foi a primeira a agir diante dos riscos, mesmo sem possuir a capacitação adequada para este fim. A solidariedade emergiu da população e se alastrou de forma coletiva no bairro, como se constatou e geralmente ocorre nessas situações. Durante o desastre ficou explícita a fragilidade e o despreparo das organizações governamentais e não governamentais e, também, da comunidade, para lidar com a situação de crise. Infere-se que o nível de fragilidade no enfrentamento dos riscos e desastre aumenta sem a participação da população e, ainda mais, se esta não for qualificada para atuar nestas situações. Considerando o desastre como um acontecimento social, dinâmico e complexo, é fundamental compreender como as sociedades podem lidar com este fenômeno de maneira adaptativa, de maneira a aumentar a sua resiliência e reduzir os riscos e impactos provocados pelo desastre. A Organização das Nações Unidas tem promovido e implementado uma série de estratégias voltadas para a redução dos riscos de desastres no mundo, assentada na melhoria da resiliência das cidades. Em 2012, o Brasil reformulou sua política de gestão de riscos e desastres, promulgando a Lei nº 12.608, com base nestas estratégias. Esta pesquisa tem como objetivo geral “Compreender de que maneira as ações de solidariedade realizadas entre os membros da comunidade de Mãe Luíza durante as fases de mobilização, resposta e recuperação do desastre contribuem para a promoção da resiliência da comunidade”. Trata-se de uma pesquisa descritiva e explicativa, quanto aos objetivos; estudo de caso, participativa, bibliográfica e documental, quanto aos procedimentos de coleta; estudo de campo, bibliográfica e documental, quanto às fontes de informação; e qualitativa, quanto à natureza dos dados. O bairro de Mãe Luíza foi o local escolhido para a realização da pesquisa e os sujeitos da pesquisa são as vítimas de desastre, as autoridades e os agentes de proteção e defesa civil, dos órgãos governamentais e não-governamentais, envolvidos no desastre ocorrido em junho de 2014, que concordaram em participar da pesquisa. As ações de solidariedade referentes às fases de mobilização e resposta foram quantificadas, levando em consideração a porcentagem de vezes em que o tipo de ação praticada ou testemunhada foi relatada, a porcentagem por tipo de vinculo social entre a pessoa que realizou a ação e a pessoa favorecida e se a ação relatada foi bem ou mal sucedida, do ponto de vista dos próprios moradores. Os resultados mostraram que das 23 (100%) pessoas entrevistadas nenhuma relatou ações de solidariedade praticadas nas etapas de prevenção de desastre e de preparação. 8,7% das pessoas relataram ações de solidariedade realizadas ou testemunhadas na etapa de mobilização, 100% relataram ações de solidariedade realizadas na etapa de resposta e nenhuma relatou ação de solidariedade praticada ou testemunhada na etapa de recuperação. De acordo com os moradoresque participaram da pesquisa, as ações de solidariedade ocorreram espontaneamente e foram regidas pelo sentimento de amor ao próximo e de compaixão para com o sofrimento do outro, acompanhado pelo desejo de amenizar tal situação. No que diz respeito ao motivo pelo qual a pessoa teria agido solidariamente, os moradores acreditam que o amor ao próximo é também o principal motivo.Concluiu-se que o despreparo dos agentes dos órgãos municipais responsáveis pela gestão de riscos de desastres e, em consequência, dos membros da comunidade afetada, somado à ausência de um plano de contingência da cidade do Natal, contribuiu para o agravamento dos riscos existentes no bairro de Mãe Luíza, o que acabou resultando no desastre aqui estudado e fazendo com que a comunidade agisse por conta própria, solidariamente, mesmo sem a coordenação adequada - antes, durante e depois do desastre. Contudo, constatou-se que certas ações de solidariedade, praticadas por membros da comunidade, contribuíram para mitigar os riscos, minimizar os danos e amenizar os sofrimentos provocados pelo desastre, culminando, ainda, no fortalecimento dos vínculos e laços comunitários. Concluiu-se que a prática de ações de solidariedade, também voltadas para a gestão de riscos de desastres, deva ser incentivada nas comunidades, por parte dos órgãos de proteção e defesa civil municipal e estadual e das lideranças comunitárias, visando desenvolver e melhorar a resiliência comunitária e global do sistema.porCNPQ::ENGENHARIAS::ENGENHARIA DE PRODUCAODesastresGestão de RiscosSolidariedadeErgonomia ParticipativaResiliência ComunitáriaSolidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RNinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisPROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃOUFRNBrasilinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFRNinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)instacron:UFRNORIGINALJaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdfJaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdfapplication/pdf5224403https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/22845/1/JaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdf96742b0107f65731e60409fa8d316b4bMD51TEXTJaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdf.txtJaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdf.txtExtracted texttext/plain277871https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/22845/4/JaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdf.txtcb71007d3e1f5276fbf092ac16635fc9MD54THUMBNAILJaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdf.jpgJaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdf.jpgIM Thumbnailimage/jpeg2515https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/22845/5/JaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdf.jpgf3f1dab5c07669875654684353f8e4e5MD55123456789/228452017-11-04 13:51:38.597oai:https://repositorio.ufrn.br:123456789/22845Repositório de PublicaçõesPUBhttp://repositorio.ufrn.br/oai/opendoar:2017-11-04T16:51:38Repositório Institucional da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)false
dc.title.pt_BR.fl_str_mv Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN
title Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN
spellingShingle Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN
Silva, Jane Ciambele Souza da
CNPQ::ENGENHARIAS::ENGENHARIA DE PRODUCAO
Desastres
Gestão de Riscos
Solidariedade
Ergonomia Participativa
Resiliência Comunitária
title_short Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN
title_full Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN
title_fullStr Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN
title_full_unstemmed Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN
title_sort Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN
author Silva, Jane Ciambele Souza da
author_facet Silva, Jane Ciambele Souza da
author_role author
dc.contributor.authorID.pt_BR.fl_str_mv
dc.contributor.advisorID.pt_BR.fl_str_mv
dc.contributor.referees1.none.fl_str_mv Saldanha, Maria Christine Werba
dc.contributor.referees1ID.pt_BR.fl_str_mv
dc.contributor.referees2.none.fl_str_mv Carvalho, Paulo Victor Rodrigues de
dc.contributor.referees2ID.pt_BR.fl_str_mv
dc.contributor.referees3.none.fl_str_mv Binde, Pitagoras Jose
dc.contributor.referees3ID.pt_BR.fl_str_mv
dc.contributor.author.fl_str_mv Silva, Jane Ciambele Souza da
dc.contributor.advisor1.fl_str_mv Carvalho, Ricardo Jose Matos de
contributor_str_mv Carvalho, Ricardo Jose Matos de
dc.subject.cnpq.fl_str_mv CNPQ::ENGENHARIAS::ENGENHARIA DE PRODUCAO
topic CNPQ::ENGENHARIAS::ENGENHARIA DE PRODUCAO
Desastres
Gestão de Riscos
Solidariedade
Ergonomia Participativa
Resiliência Comunitária
dc.subject.por.fl_str_mv Desastres
Gestão de Riscos
Solidariedade
Ergonomia Participativa
Resiliência Comunitária
description A cidade de Natal possui várias áreas habitadas vulneráveis a desastres, entre as quais se encontra o bairro popular de Mãe Luíza, que possui 16.547 mil habitantes e se localiza em região de dunas, na região litorânea, vizinho ao bairro de Areia Preta, cujo m2 é o mais valorizado da cidade. As fortes chuvas (285 mm) que atingiram Natal nos dias 13 e 14 de junho de 2014, em meio ao cenário da Copa Mundial de Futebol da FIFA, provocaram no bairro de Mãe Luíza, no dia 14 de junho, enxurradas, que resultaram em alagamentos e um intenso deslizamento de terra, capaz de formar uma imensa cratera (área de 10.000 m2 e profundidade de 30 m) no solo, destruindo, totalmente, 26 casas e afetando a vida de 187 famílias. Assim como tem ocorrido em outros desastres, a população foi a primeira a agir diante dos riscos, mesmo sem possuir a capacitação adequada para este fim. A solidariedade emergiu da população e se alastrou de forma coletiva no bairro, como se constatou e geralmente ocorre nessas situações. Durante o desastre ficou explícita a fragilidade e o despreparo das organizações governamentais e não governamentais e, também, da comunidade, para lidar com a situação de crise. Infere-se que o nível de fragilidade no enfrentamento dos riscos e desastre aumenta sem a participação da população e, ainda mais, se esta não for qualificada para atuar nestas situações. Considerando o desastre como um acontecimento social, dinâmico e complexo, é fundamental compreender como as sociedades podem lidar com este fenômeno de maneira adaptativa, de maneira a aumentar a sua resiliência e reduzir os riscos e impactos provocados pelo desastre. A Organização das Nações Unidas tem promovido e implementado uma série de estratégias voltadas para a redução dos riscos de desastres no mundo, assentada na melhoria da resiliência das cidades. Em 2012, o Brasil reformulou sua política de gestão de riscos e desastres, promulgando a Lei nº 12.608, com base nestas estratégias. Esta pesquisa tem como objetivo geral “Compreender de que maneira as ações de solidariedade realizadas entre os membros da comunidade de Mãe Luíza durante as fases de mobilização, resposta e recuperação do desastre contribuem para a promoção da resiliência da comunidade”. Trata-se de uma pesquisa descritiva e explicativa, quanto aos objetivos; estudo de caso, participativa, bibliográfica e documental, quanto aos procedimentos de coleta; estudo de campo, bibliográfica e documental, quanto às fontes de informação; e qualitativa, quanto à natureza dos dados. O bairro de Mãe Luíza foi o local escolhido para a realização da pesquisa e os sujeitos da pesquisa são as vítimas de desastre, as autoridades e os agentes de proteção e defesa civil, dos órgãos governamentais e não-governamentais, envolvidos no desastre ocorrido em junho de 2014, que concordaram em participar da pesquisa. As ações de solidariedade referentes às fases de mobilização e resposta foram quantificadas, levando em consideração a porcentagem de vezes em que o tipo de ação praticada ou testemunhada foi relatada, a porcentagem por tipo de vinculo social entre a pessoa que realizou a ação e a pessoa favorecida e se a ação relatada foi bem ou mal sucedida, do ponto de vista dos próprios moradores. Os resultados mostraram que das 23 (100%) pessoas entrevistadas nenhuma relatou ações de solidariedade praticadas nas etapas de prevenção de desastre e de preparação. 8,7% das pessoas relataram ações de solidariedade realizadas ou testemunhadas na etapa de mobilização, 100% relataram ações de solidariedade realizadas na etapa de resposta e nenhuma relatou ação de solidariedade praticada ou testemunhada na etapa de recuperação. De acordo com os moradoresque participaram da pesquisa, as ações de solidariedade ocorreram espontaneamente e foram regidas pelo sentimento de amor ao próximo e de compaixão para com o sofrimento do outro, acompanhado pelo desejo de amenizar tal situação. No que diz respeito ao motivo pelo qual a pessoa teria agido solidariamente, os moradores acreditam que o amor ao próximo é também o principal motivo.Concluiu-se que o despreparo dos agentes dos órgãos municipais responsáveis pela gestão de riscos de desastres e, em consequência, dos membros da comunidade afetada, somado à ausência de um plano de contingência da cidade do Natal, contribuiu para o agravamento dos riscos existentes no bairro de Mãe Luíza, o que acabou resultando no desastre aqui estudado e fazendo com que a comunidade agisse por conta própria, solidariamente, mesmo sem a coordenação adequada - antes, durante e depois do desastre. Contudo, constatou-se que certas ações de solidariedade, praticadas por membros da comunidade, contribuíram para mitigar os riscos, minimizar os danos e amenizar os sofrimentos provocados pelo desastre, culminando, ainda, no fortalecimento dos vínculos e laços comunitários. Concluiu-se que a prática de ações de solidariedade, também voltadas para a gestão de riscos de desastres, deva ser incentivada nas comunidades, por parte dos órgãos de proteção e defesa civil municipal e estadual e das lideranças comunitárias, visando desenvolver e melhorar a resiliência comunitária e global do sistema.
publishDate 2016
dc.date.issued.fl_str_mv 2016-04-04
dc.date.accessioned.fl_str_mv 2017-05-09T18:09:19Z
dc.date.available.fl_str_mv 2017-05-09T18:09:19Z
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.citation.fl_str_mv SILVA, Jane Ciambele Souza da. Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN. 2016. 153f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Centro de Tecnologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2016.
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/22845
identifier_str_mv SILVA, Jane Ciambele Souza da. Solidariedade e fortalecimento da resiliência comunitária em situação de desastre: O caso do Bairro de Mãe Luíza, Natal - RN. 2016. 153f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Centro de Tecnologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2016.
url https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/22845
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.publisher.program.fl_str_mv PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
dc.publisher.initials.fl_str_mv UFRN
dc.publisher.country.fl_str_mv Brasil
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da UFRN
instname:Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
instacron:UFRN
instname_str Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
instacron_str UFRN
institution UFRN
reponame_str Repositório Institucional da UFRN
collection Repositório Institucional da UFRN
bitstream.url.fl_str_mv https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/22845/1/JaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdf
https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/22845/4/JaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdf.txt
https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/22845/5/JaneCiambeleSouzaDaSilva_DISSERT.pdf.jpg
bitstream.checksum.fl_str_mv 96742b0107f65731e60409fa8d316b4b
cb71007d3e1f5276fbf092ac16635fc9
f3f1dab5c07669875654684353f8e4e5
bitstream.checksumAlgorithm.fl_str_mv MD5
MD5
MD5
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
repository.mail.fl_str_mv
_version_ 1802117768608219136